A luz e o som na arte

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Talvez quem assiste um show ao vivo ou por vídeo, e curta todos os elementos daquela experiência, talvez não tenha noção da grandeza e complexidade que é trabalhar o conjunto de luz e o som na arte, especialmente quando falamos de música.

A música se manifesta pela audição, então enquanto música ela é uma experiência auditiva que manifesta emoções através da imaginação. Quando trazemos a música para o visual, outros elementos se reúnem para complementar a experiência, aumentar o nível de emoção, imersão e aliviar o lado criativo, que precisa pensar menos e curtir mais.

Trabalhar a interação entre som, luz, efeitos e tempo exato é a soma de muitos esforços combinados na mesma direção, e exige muita sensibilidade, pois são muitos elementos em ação ao mesmo tempo. Uma prévia sobre alguns dos artistas que trabalham com esta missão pode ser vista no nosso artigo O som e a Luz.

Essa estrutura precisa ser coordenada por duas partes principais, que são a banda, que fará a execução da performance em si, e uma figura que podemos chamar de diretor de artes, e este trabalha a moldura que torna a arte da banda uma apresentação ainda mais surpreendente e impactante.

Uma das maiores representações de combinação perfeita entre arte visual e som é o famoso show Pulse da banda Pink Floyd. Este show de 1995 foi um marco na história dos shows musicais com efeitos especiais e uma construção visual futurista.

Uma sinfonia psicodélica de sons, imagens e efeitos de luz, é um exemplo perfeito do que um trabalho de ambientação pode fazer por um show. Definitivamente as pessoas que ali estiveram puderam vivenciar uma imersão intensa, a realidade era alternada entre a música, já conhecida e esperada, com uma coordenação perfeita de elementos que transportaram todos para a realidade alternativa que a banda propunha com suas canções.

Este show deu abertura para outras obras incríveis e modernas de som e luz, inclusive impactando uma das indústrias de entretenimento mais antigas da humanidade: o Circo. O circo tradicional que todos conhecem é aquela apresentação clássica de um combinado de artistas com diferentes habilidades, cada um se apresentando em uma parte do espetáculo, mas não passava de uma combinação de shows de mágicos, malabaristas, trapezistas e palhaços.

Agora para aqueles que já tiveram a oportunidade de assistir ao vivo, ou em DVD um dos shows da Companhia canadense Cirque du Solei, pode entender bem o que a combinação de elementos pode fazer por uma apresentação.

O Cirque du Solei revolucionou e deu um novo significado ao espetáculo de circo, onde cada show conta uma história, onde cada especialidade dos artistas, sejam mágicos, malabaristas, trapezistas ou palhaços, faz parte dos personagens da história e até mesmo a música, é feita ao vivo, combinada com um show de luzes e sons que te transportam para outros planetas, para baixo d’agua, para florestas perdidas ou para grandes cidades. O nível de especialização em ambientação e construção de show é um reflexo de muitos padrões de exigência por perfeição.

Todo este movimento é benéfico para o universo da música e das artes, pois a reunião dos elementos trouxe um novo desafio para quem o aceitou. Uma dupla brasileira que sempre busca inovações em seus espetáculos são os sertanejos Fernando e Sorocaba, sempre trazendo novos elementos e ideias revolucionárias para tornar seus shows obras de arte, som e luz – uma composição completa para todos os sentidos e sentimentos da plateia.

Mas por onde começar quando pensamos em evoluir nossa performance entre a luz e o som na arte?

Comece por entender bem os elementos do trabalho que você já faz e use a imaginação para desenhar onde você quer chegar.

Primeiramente, em qual dos sentidos você gera o primeiro impacto no seu público? Se você é uma banda, provavelmente na audição, se você é um artista plástico, provavelmente é a imagem.

O segundo passo é entender qual atmosfera ou sensação você quer trazer para o seu público? Qual é a emoção que você pretende despertar no seu público.

A banda Slipknot por exemplo é conhecida por criar a atmosfera de campo de guerra em seus shows, e seu elemento principal certamente são as músicas e a performance de palco da banda, mas o que mais eles trazem para suas apresentações que ajuda seu público a entrar nessa atmosfera de soltar todos os sentimentos de raiva reprimidos.  Tem os elementos de vestimenta da banda, com as máscaras e os macacões industriais, e sons e luzes certamente ajudam a criar essa sensação.

Já performances eternizadas como os famosos acústicos, utilizam elementos intimistas, para aproximar o público do artista, gerando mais empatia e calor, e sentimento com certeza. Perceba que os cenários dos acústicos sempre são organizados para parecer mais quentes, mais simples e nos remetem ao aconchego de um ambiente comum, assim como o caso do acústico MTV com a banda Rappa, ambientado em uma estação de metrô, um cenário comum para o seu som urbanizado e moderno.

A pergunta principal é: que sentimento eu quero despertar no meu público, e quais elementos eu posso utilizar a meu favor para tornar isso mais favorável e evidente?

Se quero despertar raiva, uso elementos vermelhos e sonoridades irritantes. Se quero despertar a sensação de felicidade, trago luzes brancas e cores felizes, como o amarelo, algumas vezes usadas pela banda ColdPlay, especialmente em sua música Yellow. Se o foco é uma música mais melancólica, usa-se a luz mais baixa e poucas luzes de foco no artista, algumas vezes com elementos em azul, que no contexto certo pode simbolizar a cor das lágrimas de uma pessoa.

Caminhando para a conclusão, é importante que cada artista ou banda faça uma reflexão sobre a fundação da sua arte, para então entender quais os melhores elementos para ajudar e facilitar essa viagem emocional nas pessoas, pois é a emoção que move a arte, e a arte é uma forma de modificar a realidade emocional das pessoas. Está tudo conectado.

Agora conte pra gente quais bandas dão um show a parte em som e luz e aproveite para se inscrever em nosso site, Gratuitamente. Clique aqui!