Músicos e o trabalho no Carnaval

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Se você é daqueles que não sabe ao certo em qual bloco pular, talvez esteja se perguntando: Carnaval para quê? Para aproveitar o feriado prolongado, um dos maiores do ano, por sinal, responderiam alguns. Além disso, há de se pensar também em qual bloco sair, que música ouvir ou não ouvir? – Retiro das grandes aglomerações também faz muito bem. – E há mesmo uma preferência entre o carnaval tradicional, com suas marchinhas irreverentes e irônicas, ou o chá chá chá dos axés anos 90 e do sertanejo atual?

Claro que há gosto para tudo. Ainda fazem sucesso os blocos de carnaval que priorizam a raiz do carnaval brasileiro, relembrando em seus desfiles os clássicos cordões do final do século XIX e meados das décadas de 20 a 60, quando surgiram as marchinhas no Brasil, como o “Abre Alas” hino da Rosas de Ouro composto por Chiquinha Gonzaga em 1899. Outro famoso sucesso, a “Cabeleira do Zezé” (antes do Zezé Di Camargo usar Mullet) de 1963, composta por João Roberto Kelly e Roberto Faissal, entre muitas outras que fizeram muitos carnavais e fazem parte da história desse país.

Já alguns foliões preferem a ousadia do axé da Bahia, até o pancadão das pistas ou das rádios mais populares e pode aumentar os 10% da conta dos seguidores de blocos que tocam os hits do verão (de todos os verões, since 1990) no estilo marchinha.

E muitos blocos têm se adaptado para atender todos os tipos de folião. Além do som do momento, outros fazem lisonjeiras homenagens a mestres do rock como o bloco “Abre-te Sésamo” (BH), que rende homenagens ao Raulzito em ritmo de carnaval, assim como o bloco “Black Sambath” (BH) que vai arrastar foliões pelas ruas da capital mineira ao som de clássicos como Iron Man e War Pigs.

Haja confete para dar conta do recado! Não interessa se você vai de “Sambath” ou “Olha a onda”, carnaval e de todos e para todos. O que importa é a alegria desses dias tão intensos. É claro, que se você for músico, tiver aquela conta atrasada e receber em cerveja no carnaval, haja ressaca para embalar a pós-folia. Nem só de alegria vive o homem, infelizmente músicos precisam se submeter áquele axé maroto ou o sertanejo (que já deu para abalar as estruturas pré, durante e pós-evento) só para garantir os golpes (din-din, money, merréis, enfim) necessários para passar o mês e botar as contas em dia.

Nem sempre o músico quer receber em cerveja, lanchinho, amizade. É preciso entender que o profissional tem gastos, como na sua formação, manutenção de instrumentos, transporte e gastos pessoais necessários a sua sobrevivência. Muitos contratantes chamam aquele “amigo” na intenção de tirar vantagem sobre o artista, achando que seu amigo pode transmitir alegria ao som do verão de barriga vazia. Cabe nessas situações, valorizar o trabalho artístico do outro, o tempo envolvido na profissionalização do músico e a visão de que a música é um trabalho remunerado como outro qualquer. Todos querem música, mas não querem pagar por ela? É ótimo quando se está do outro lado ouvindo o artista, e tem que ser ótimo para o artista ser reconhecido através do correto pagamento.

Carnaval é para todos, sem moderação, alegria e descontração sem fim! No entanto, carnaval não é licença para desonestidade, preconceito, abusos e todo tipo de mau-caratismo. É tempo de festa, sim, mas com respeito às diferenças e amor no coração! Todo mundo tem carne de carnaval, mas às vezes não tem bolso ou coração igual.

Crédito da Foto: Freepik.

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